"Crise energética afeta todos". Montenegro apela ao fim de "masoquismo coletivo"

"Crise energética afeta todos". Montenegro apela ao fim de "masoquismo coletivo"

O primeiro-ministro discursou ao fim da tarde perante Assembleia-Geral das Nações Unidas, defendendo o fim dos conflitos mundiais e do "masoquismo coletivo" que está a causar a escalada dos preços dos combustíveis. Luís Montenegro propôs uma reflexão sobre o mecanismo de formação do preço internacional do petróleo.

Inês Moreira Santos - RTP / Adicionar como fonte informativa
Caitlin Ochs - Reuters

Na Assembleia-Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque,
Luis Montenegro começou por defender o fim dos conflitos mundiais no Médio Oriente e na Ucrânia, assim como uma solução de dois estados, entre Israel e Palestina.

"Ao longo das últimas décadas, a ordem internacional focada na promoção da estabilidade foi essencial para a prosperidade e o progresso socioeconómico das nossas sociedades", começou.

"As guerras e tensões geopolíticas que marcam este tempo têm tido um terrível impacto humano, colocam em causa essa ordem internacional e, consequentemente, a perspetiva de prosperidade". 

Por esse motivo, Luís Montenegro declarou que se deve "explorar todas as oportunidades para o diálogo, para a diplomacia e para a paz".

Considerando a situação no Médio Oriente, o governante português apelou a que se cessasse "a tragédia humanitária e temos de caminhar para a solução de dois estados, com Israel e a Palestina a coexistirem como dois Estados soberanos, em paz e em segurança".

"Tem de terminar a atuação agressiva do Irão e dos seus grupos armados associados, incluindo ataques a países vizinhos, a navios mercantes e a infraestruturas civis. Tal como tem de terminar o bloqueio do estreito de Ormuz e ser garantida a liberdade de navegação, incluindo a passagem segura e isenta de portagens também no Mar Vermelho".

Mas também deixou uma nota para o conflito russo-ucraniano, apelando a "uma paz justa e duradoura que faça cessar a agressão brutal e ilegal da Rússia contra a Ucrânia"

O primeiro-ministro salientou ainda a gravidade da crise energética mundial, agravada por esses conflitos, e o facto de Portugal estar avançado no processode transição energética.

"Perante o novo desafio da Inteligência Artificial, temos de encontrar em conjunto o equilíbrio virtuoso entre a inovação e a regulação, que permita aproveitar o seu potencial a favor da humanidade, mas que evite o desvirtuar da nossa essência".

Dirigindo-se aos presentes, Montenegro falou da crise energética e da escalada dos preços dos combustíveis, devido aos conflitos internacionais, e frisou que "afeta todos os nossos povos".

"Não há nenhum país que seja imune"
, salientou.

Esta crise tem "impacto económico e social grave e estão já a ter consequências indesejáveis para todos nós, e também para as partes mais diretamente envolvidas". Além disso, "é uma crise insensata porque é má para todos".

O chefe do Governo defendeu que, por um lado, "urge pôr fim aos conflitos que se arrastam", sem se referir, nesta parte da sua intervenção, diretamente à guerra no Médio Oriente entre Estados Unidos e Irão.

"Por outro, desde já, temos de debater e decidir, formas complementares de mitigar o impacto desta crise energética e evitar o seu prolongamento", apelou.

O primeiro-ministro português considerou que "seria benéfico também discutir o mecanismo de formação do preço internacional do petróleo".

"Não tenho uma solução concreta mas pergunto se faz sentido estarmos todos tão dependentes do fator especulativo e da volatilidade dos mercados financeiros e de futuros, que fazem incidir o seu efeito a toda a produção, mesmo quando a instabilidade tem origem apenas numa parcela ou num período restrito dessa produção",
questionou.

Luis Montenegro pediu umas Nações Unidas mais ágeis e eficazes para fazerem a diferença a nível mundial. E ainda lugares permamentes para países de África, para o Brasil e para Índia, reforçando o pedido para que o português seja língua oficial da ONU.

Luís Montenegro discursou hoje perante a 81.ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, imediatamente a seguir ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que tinha sido recebido com vaias, mas também aplausos, com muitas delegações a saírem da sala.
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